terça-feira, 26 de novembro de 2013

Do You Really Love Me? - Capítulo 40 - Último capítulo da temporada

- O que ela está fazendo aqui? – Perguntou a seu pai olhando Lindsay com desdém.

- Eu vim te explicar...

- Mas você não tinha explicado quando contou aquela história absurda sobre meu pai estar me ameaçando?

- Não é absurda. – Murillo disse suspirando.

- Como assim? Quer dizer que você a ameaçou mesmo?

- Então... É uma história meio confusa Lunna... – Sua mãe começou.

- Sente-se, querida. É confusa e longa. – Lunna se sentou meio desconfiada.

- Podem começar. – Eles se entreolharam.

- Então vamos começar por uma parte que você não sabe: Você tem outro tio além de Carlos. É o irmão do meio: Zion. – Murillo disse enquanto observava a cara confusa de Lunna.

- E por que nunca soube dele?

- Ele não mora na Bulgária. Mora nos EUA. Além de que foi meio que... Deserdado. - Lindsay respondeu. - Eu passei um tempo nos States, como deve saber, e lá eu conheci Zion. Ele era encantador, gentil, galanteador, divertido, me fez ficar apaixonada rapidamente com toda a inocência que tinha. Então ele me levou para a cama. E, bem, depois desapareceu. Eu fiquei desolada, mas em vez de sentir raiva, só queria que ele voltasse para mim. Mas isso não aconteceu. Voltei para a Bulgária e descobri que estava grávida dele. Fiquei ainda pior. Chorava todas as noites no meu quarto. Como contaria isso para meus pais? Não tinha idéia. Quando eu contei, eles ficaram muito decepcionados. Mas pensaram mais na minha imagem. Eu iria ficar muito mal falada. Eles tinham uma família bem amiga.

- Meus pais. Eu também estava dando uns problemas... Com mulheres e acharam que seria uma coisa boa para nós dois. Um acordo em que ambas as partes seriam beneficiadas.

- O casamento de vocês foi isso? Um acordo?

 - Sim. – Responderam juntos. Murillo continuou: - O bebê nasceu. Acabei criando um carinho especial por ele.

- Era eu?

- Não querida...
- Então eu tenho um irmão?

- Sim, espere um pouco. Vou continuar. Acho que nossa história não parece real às vezes. Parece mais com uma novela mexicana. – Lindsay disse. – Bem, em uma noite, quando ele já tinha cinco meses, nós o deixamos no quarto dele para dormir e descemos até a sala. Resolvemos ver um filme de terror. Podia ser um casamento arranjado e não éramos apaixonados um pelo outro, mas sim melhores amigos. Depois de uma hora e dez minutos de filme, ouvimos um barulho extremamente alto no quarto dele. Subimos correndo e quando chegamos lá meu filho não estava no berço, a janela estava escancarada. Fomos para o lado de fora da casa, chamamos a polícia e eles procuraram por dias, mas não o encontraram. Depois disso fiquei completamente desorientada. Bebia, bebia, virei uma alcoólatra incontrolável. Murillo tentava me ajudar, mas não conseguia direito. O máximo que dava era que ele tirava antes de estar tão bêbada que não fosse lembrar-me do que havia acontecido na noite anterior. Eu ficava chorando em seus braços, pois a bebida não me fazia esquecer. Eu só ficava pior. Mas em uma noite meu pai passou mal. Murillo foi com a minha família e eu fiquei sozinha em casa, pois não tina condições de ir. Fique pior ainda. Bebi até que a única coisa que me lembrava era de um homem conhecido entrando na casa. No outro dia acordei na cama, nua, com o cheiro de outro e Murillo me olhando assustado. Eu contei a ele sobre o que me lembrava e ele ficou desesperado.

- Chamei até a polícia novamente. Alguém havia abusado dela, enquanto estava indefesa. Mas não deu em nada. Então acabou descobrindo que estava grávida novamente. Isso por alguma razão a fez melhorar. Podia nem saber de quem era, mas a criança não tinha nenhuma culpa por isso. Então, depois de nove meses você nasceu. E bem, depois de seu nascimento que aconteceu algo entre nós. Então nos tornamos um casal de verdade. Você era nossa filhinha, mesmo não sendo de sangue, eu te amava como uma filha de verdade. Nunca esquecíamos nosso outro filho, mas a polícia já havia desistido. Então aconteceu o acidente. Vocês duas ficaram mal. Eu realmente pensei que sua mãe havia morrido quando o médico me disse.

- Mas era Zion. Ele não tinha sumido da minha vida como eu acreditava. Ele apareceu no dia em que acordei e me ameaçou. Descobri que ele havia sequestrado meu filho e abusado de mim. Não entendia o quão insano ele era. Até porque me ameaçou para ficar com ele e meu filho. Zion era louco. Ele me queria e se tivesse ficado comigo naquela época estaria comigo até depois, pois eu o amava, mas por alguma razão ele não o fez. Abandonou-me, me machucou.  Ele me forçou a ficar com ele em um lugar muito isolado. Meu filho também estava lá e esse foi meu único consolo. Mas sentia a falta de vocês. Sentia como se um pedaço de mim tivesse sido arrancado à força. Zion  tinha surtos de loucura, de violência e machucava a si próprio.Seu irmão cresceu. Zion o deixava ir a uma escola, mas eu ficava presa sobre a mira dele, para caso meu filho quisesse fugir. Ele nunca o fez. Nunca abriu a boca. Só que uma vez eu consegui pegar um telefone escondido e liguei para seu pai. Isso foi há pouco tempo. Murillo quase teve um ataque e custou a acreditar. Quis chamar a polícia e eu deixei, mas informei que não sabia muito bem onde estava. Pedi a meu filho que descobrisse e ele perguntou a pessoas da escola. Ele me disse e contei a seu pai. A polícia fez uma investigação que durou meses e assim conseguiram prender aqueles que colaboravam com Zion, mas ele foi encontrado morto. Parece que se matou em um dos seus surtos.

- E agora você está aqui. – Lunna falou.
- Sim, querida.

- É muita coisa pra absorver... Isso parece algum filme, uma novela... Como pode? A gente nunca pensa que isso poderia acontecer perto de nós. – Lindsay concordou – Mãe?

- O que?

- Me dá um abraço?

- Claro meu amor. – A morena mais velha se levantou indo até a filha.

- Ah, e meu irmão?

- Ele está com meus pais na Bulgária.

- Ah, e querida? Nós vamos para lá amanhã. – Murillo disse.

- Nossa, mas já?

- Sim, faça suas malas que iremos ficar três meses lá.

- E depois?

- E depois? Eu não sei. – Lindsay falou abraçando Lunna mais forte.

- Acho que vou chorar. – A garota disse com a voz embargada.

- Eu também. – E as duas começaram a chorar fazendo Murillo revirar os olhos.

- Vocês duas são muito iguais caramba. – Falou.

- Se junte ao abraço papai. – Lunna esticou o braço e o homem não resistiu as abraçando. – Pode não ser de sangue. Pode ser meu tio, mas no meu coração será sempre meu papai. Eu amo vocês.






Nenhum comentário:

Postar um comentário